A mulher veio ter connosco assim que atravessamos a rua nos semáforos. Vi-a descer do muro e a caminhar na nossa direção. Pensei que era mais uma a pedir trocos, mas ela só veio pedir para caminhar ao nosso lado. Dizia ela que os dois extraterrestres que estavam do outro lado da rua a queriam raptar. Continuamos a andar. Os dois suspeitos ficaram do outro lado. Depois eles atravessaram e meteram-se para outra rua. A mulher começou a entrar em pânico e continuava a dizer que a queriam raptar. Eu fiquei na dúvida. Queria que chamasse a polícia, mas entretanto chegamos à paragem e o Piruças já estava de braço estendido para o primeiro autocarro que aparecesse. Eu disse-lhe para ela entrar no autocarro e ela disse que não sabia onde estava. Entretanto, um dos extraterrestres começou a descer a rua. Um tipo muito baralhado, decididamente com pouca cara de quem iria raptar alguém. Passou por nós e continuou rua abaixo. Nem olhou. Parecia ser demasiado trengo para andar a fazer jogos com a rapariga, mas nunca se sabe o que é que poderia sair dali. Eu só disse à mulher para entrar no autocarro porque se o que ela queria era proteção, então era no meio daquela gente toda empacotada que a teria. Assim que ela entrou no autocarro, eu e o Piruças fomos para o que vinha atrás porque o motorista tinha de chamar a polícia e enquanto a polícia não chegasse teria de ficar ali parado. Passaram dois carros com as sirenes ligadas quando já estávamos a chegar à creche. Há dias que começam muito esquisitos.
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