20.3.17
Meditações
Às vezes não sei onde pertenço. Vejo uma facção de freaks vestidos à sport billy, todos east london, a desfiarem aparências de grande criatividade. Vejo outra muito mais formal, posh até, de gente que até gosta de música sem precisar de o mostrar nas tatuagens e nos piercings. Eu não sou nem uma coisa nem outra. Talvez um meio-termo ou um sujeito singular. Penso nisto quando saio à hora do almoço para apanhar um pouco de ar fresco poluído pela artéria fumegante da Kensington street. Encontro um atalho e vejo um pequeno jardim, um cemitério antigo e uma grande igreja. Há crianças no recreio de uma escola ao lado. Páro à entrada da igreja e, sem deixar de escutar as crianças, entro para ouvir o silêncio. Lá dentro ouve-se catecismo, sem nunca se deixar de ouvir a correria das crianças. Gravo três minutos disto e vou comprar uma sopa de cogumelos.
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