12.1.17
Só mais um bocadinho (outra vez)
Hoje sentei-me no chão junto a uma das pequenas mesas cheias de bonecos e plasticina caseira. O pretexto é o do Piruças: "daddy, fica mais um bocadinho". E eu lá fico, meio adormecido, a ver os movimentos da criançada, a forma como uns estão logo muito despertos pela manhã e outros chamam pela mamã. Não é o lugar mais animado do mundo. Não nos enganemos. A creche é como um trabalho de escritório em miniatura. Nota-se bem que andam todos muito macambúzios e a única distração são as actividades que têm nas mesas. E eles lá andam de um lado para o outro, sem conversar muito, a experimentarem uma coisa ali, outra acolá. Depois há sempre uma colega que chega e chora porque não quer ficar só, sem a mãe por perto. O Piruças nunca foi muito disto, mas esta semana tem sido assim. Vai até à porta tranquilo, mas quando é para entrar não quer que eu vá embora. Começo a achar que ele até nem precisa muito da minha companhia. O que ele quer é que eu tenha companhia e que não vá para o silêncio de casa sozinho. Eles pressentem estas coisas mesmo quando inventamos estórias que temos de ir a algum sítio. Eles sabem. Não tenho dúvidas. E isto baralha muito quando colocamos hipóteses de sairmos de casa durante uns tempos para arranjar um trabalho fora, com vista a uma mudança a curto prazo. Nem todo o sacrifício vale a pena.
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