Dia do pai nesta terra no próximo domingo. Passei duas horas na creche a fazer papel reciclado com a canalhada. O Piruças estava todo contente. A pedir atenção. A querer que eu brincasse com ele o tempo todo. É impressionante toda aquela energia. Estão sempre a fazer coisas diferentes. Ora a pintar, ora a fazer esculturas com plasticina, ora aos saltos de um lado para o outro. Assim, não é de admirar que estar em casa seja algo muito aborrecido. Porque em casa não há banheiras cheias de água, não há baldes de areia, não há tintas e papel espalhados por todo o lado. Mas já faltou mais.
Chegamos à creche às 8:30 mas o workshop só começava às 9:00. Assim, aproveitei para ir ao banco depositar um cheque da rainha, uma compensação pelo salário não pago e por mais de cinco anos a perder o meu tempo com uma coisa que não foi a lado nenhum. Pelo menos não fiquei a arder, pensei. Tarefa do dia cumprida.
Quando cheguei à creche dei com o Piruças a brincar sozinho com uma casa de bonecas de pala de pirata no olho. Ele não estava nada à espera que eu regressasse tão depressa e ficou um pouco encabulado. A primeira coisa que fez foi tirar a pala do olho o que foi uma pena porque daria uma bela fotografia. Ainda tentei convencê-lo a colocar a pala outra vez mas ele não gostou da ideia. O que é que ele andaria a tramar de pala no olho no mundo das casas de bonecas?
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