25.6.16
Breshit
O Brexit está agora operacional e o país-ilha pronto a ser tomado por Boris e Farages. Ainda é um pouco cedo para desenhar os contornos da mudança, mas isto é o princípio e o fim de uma era. A Europa rui aos poucos e o sonho fica nebuloso. Os ingleses que votaram contra a saída da UE estão preocupados. Nem é tanto a questão económica ou o infinito fluxo de imigrantes. É antes o problema das mentalidades que são na sua maioria de direita, racistas e ignorantes. Não é preciso perceber muito de política para perceber onde estão os bons e os maus. Basta olhar para eles: o escroque do Farage, o bobo de corte do Boris, a primeira página do The Sun com o "dia da independência". Do outro lado, jornais de respeito como o Guardian e músicos como o Brian Eno. É certamente um país dividido. Mas atenção, não é uma divisão entre ricos e pobres ou entre partidos. É uma divisão entre mentalidades abertas e fechadas, multiculturalismo e racismo. E é essencialmente isto que cai muito mal no bom espírito britânico que resta e nas boas almas escocesas. Agora que o estupidificante funcionamento democrático nos deu mais uma das suas fascinantes catástrofes resta-nos ficar à espera do que vai acontecer nos próximos meses. É que todos nós sabemos que este negativismo exagerado vai acabar por amainar para dar lugar a uma estratégia subterrânea: não vai ser preciso construir muros porque aos poucos as condições vão deixar de ser favoráveis para as pessoas quererem ficar; a economia cai e leva a rasto tudo aquilo que fez de Londres aquilo que ela é; a política vai continuar a ser feita de uma democracia podre; arranjar emprego vai ser um problema porque o medo não permite apostar em alguém que pode ter ou querer de ir embora. Ou seja, gera-se um clima sufocante, uma suspeita contagiante e um estado de coisas que trará maus futuros. Seja onde for. É que os resultados deste referendo não seriam muito diferentes noutros países...
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