6.5.16
Prioridades
A cabeça já está a trabalhar às seis da manhã. Ainda há muito para processar, certamente. De um dia para o outro, é-nos tirada uma parte considerável das nossas vidas (inclusivamente um último mês de trabalho não pago) e temos ainda de digerir a ausência do hábito. É uma quebra repentina. Apesar de tudo, do embate brusco, sabe bem. Há uma sensação de liberdade (daí ter ficado com a I'm Set Free dos Velvet na cabeça desde sexta-feira) e uma oportunidade de recomeço que só acontece nestas alturas Limpei a secretária e disse os adeuses possíveis. Tenho de ser grato às pessoas que foram boas ao longo deste tempo, mas o resto... o resto já me basta o facto de não os ver mais. Sem rancor, sem nada. E eles devem pensar o mesmo de mim. Mas agora tenho de digerir isto rápido. A cabeça trabalha ou quer trabalhar. Tem vontade de se levantar, tratar das papeladas, resolver estas perdas que são chatas como a putaça. Tenho de reclamar dinheiros não pagos e outros direitos, e sabe-se lá quando vão ser pagos. Tenho também de aproveitar esta energia, não para pensar demasiado no assunto, mas para aplicar toda a metodologia de escritório na busca de um novo emprego. Tudo isto são bons motivos para fazer a minha cabeça acordar mais cedo. Mas o que me faz levantar mesmo não é isso. O que me faz sair da cama mais depressa é a cagada matutina do Piruças, daquelas que saem pelas bordas. Há muita merda para limpar, é essa a prioridade.
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