22.1.16
Mala à porta
Alguém deixou uma mala suspeita à porta do Consulado e, por uma razão estúpida qualquer, fecharam a porta mesmo na hora em que eu ia sair com o meu novo cartão de cidadão na mão. Chamaram a polícia e, poucos minutos depois, lá estavam eles (só dois) a vasculhar uma mala cheia de roupa. Saí de lá assim que pude, não porque achasse que fosse algo sério, não era, não podia ser, mas porque estar dentro do Consulado da-me calafrios, isto sim, um verdadeiro atentado. Por um lado faz-me confusão a sensação de ser tele-transportado: entrar no Consulado é como entrar em Portugal num ápice, sem check-in, nem hospedeiras. É algo mesmo muito estranho. Por outro lado, há toda aquela manigância tuga dos funcionários que continuam a viver com os tiques da burocracia fossilizado que tão bem conhecemos: a voz de colarinho brunido, a piada à Bocage, o segurança feito tropa, aquela imagem horripilante de uma sala de espera inteira atenta aos números no ecrã. Não sei porque me queixo, afinal de contas o edifício é território português e tem de existir alguma autenticidade nisso.
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