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4.1.16

Aparelhagem

Lembro-me de quando era puto e ficava a ver a montra da loja da Phillips, mais conhecida pela loja do Armando da Filpes, como diz a minha avó. Eu ficava ali quase todos os dias ao vir da escola a ver todos aqueles aparelhos: gira-discos, leitores de CDs, aparelhagens (era bonito quando se dizia "aparelhagem", uma palavra que já entrou em desuso e que vai certamente desaparecer dentro de poucos anos), coisas caras como o caraças. Em casa eu só tinha um rádio mono com leitor de cassetes. Não valia uma desgraça mas era o que eu tinha.
Depois de muitos anos a sonhar nas montras, tive uma aparelhagem da Grundig. Uma aparelhagem já mais sofisticada do que as primeiras dos anos 90. Tinha leitor de cassetes com reverse, leitor de CDs e comando. Foi uma alegria que veio. Tarde, mas veio. Tocou todos os dias e durou anos sem perder o estilo. Ainda a tenho, mas o leitor de CDs e o leitor de cassetes já não funcionam. Serve para rádio e para ligar um iPod. Foi uma boa compra (provavelmente a prestações), coisa boa, coisa para durar uns bons anos.
Há quem diga que o melhor na vida são as coisas imateriais. Concordo, tirando quando falamos de aparelhagens e tecnologia. Porque estas coisas enchem os espíritos de saúde, de conforto, de bons pensamentos. Pelo menos é assim para mim.
Nestas últimas semanas reparei como a tecnologia me faz falta. Não a tecnologia da alienação (telemóveis, computadores, etc) mas sim esta dos sons. Primeiro, um gira-discos; depois, uma mini-aparelhagem da Pioneer.
Podem dizer o que quiserem, que os produtos de agora não têm tanta qualidade, que são todos feitos na China, que se desactualizam muito depressa, mas foda-se, hoje compram-se coisas minimamente decentes com meia dúzia de trocos e já não é preciso ficar a babar nas montras durante anos.

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