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7.9.15

Júpiter, Marte e Japão

Nunca teria ido ver os Bo Ningen ao Lexington no meu estado normal. Teria de passar primeiro por uma caverna que ecoasse os barulhos mais podres do rock japonês e teria provavelmente de ouvir o Made In Japan dos Deep Purple aí umas vinte vezes seguidas. Tão depressa tocam algo que nos parece familiar, como depressa nos atiram uns sons estrambóticos que não lembram ao diabo, se é que existe um diabo nipónico. Depois, as figuras são alienígenas. Tirando o baterista, que tem uma daquelas barbas à jovem herói de Shaolin, não se percebe muito bem a idade deles. As cabeleiras são efeminadas ao quadrado e os jeitos são estranhos no ocidente. Soaram tanto a Milhões que tive de ir confirmar se já tinham passado por lá. Claro que sim, em 2010.

O curioso é que os Kittens, que abriram a noite dos 10 anos da Stolen Records, já tinham passado pela mesma terra onde acontece o Milhões, num evento chamado Subscuta. Mas não fui capaz de ver isso na hora em que estava toda a gente à porta do Lexington depois do concerto. Nem mesmo com tanta garrafa Sagres pousada nas mesas (não bebi nenhuma, mas registem os interessados: o Lexington tem Sagres). Só muitas horas depois, e depois de recordados alguns bons momentos com os Kittens na costa portuguesa, é que se deu a epifania. Não deixa, contudo, de ser curioso ver os Kittens e os Bo Ningen no mesmo palco, na mesma editora, na mesma cidade portuguesa no espaço de um ou dois anos.

Os Kittens (Bryan Mills e Nicholas Munro) têm um álbum quase pronto. Faltam apenas umas misturas e se tudo correr bem vai sair em Janeiro de 2016. Uma das músicas do álbum entra na banda-sonora do filme Slow West. Chama-se Jupiter and Mars e já pode ser ouvida online num arranjo minimalista de caixa de música.

 

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