- É mesmo difícil para mim perceber como é que eu sofro de frio (camisola, camisa, casaco e cachecol) com dois marmanjos ao meu lado em t-shirt. Serei anormal? Terei o termostáto interno desregulado? É que está um frio desgraçado, lá fora, cá dentro, em casa, fora de casa, no escritório, fora do escritório, no comboio. Setembro entrou no outono mais cedo do que é costume. Eu detesto setembro. É sempre o mês mais difícil do ano. É aquele mês em que as folhas começam a cair e nós temos de cair com elas. Pensamos muito na vida. Tentamos resolver coisas, fazer planos, mudar algo. Tanta melancolia.
- O Piruças parece outro. Na semana passada era só choro e mimalhice. Neste dois últimos dias portou-se como um homem. Vem para o meu colo já atento a quem está na mesa redonda a tomar o pequeno-almoço e eu aproveito para lhe abrir o apetite: é a hora do segundo pequeno-almoço, mmmmm, cheerios, mmmm, que bom, mmmm, com leitinho, mmmm. Hoje não pediu a almofada nem nada. Sentou-se e disse bye bye. Um bye bye rápido pois os olhos já lhe fogem para a malga de cereais com leite. Tem havido também, parece, alguns progressos sem chupeta. Ontem passou bem sem ela o dia todo, nem sequer para dormir. Agora só temos de fazer a experiência em casa.
- Comprei lenços e drogas fracas para a dor de cabeça. Tenho uma constipação refilona a trepar-me o juízo e não me parece que me vá livrar dela tão cedo. A merda do ar condicionado não ajuda, quer no escritório, quer no comboio. No comboio consegue ser pior porque tanto está um calor dos diabos entre a primeira meia dúzia de estações (gente a mais na carruagem) como está um gelo implacável durante o resto da viagem. Estas oscilações num corpo suado conseguem ser piores do que 8 horas dentro de um escritório com temperatura de iglo.
8.9.15
Café, muito chá e uma fatia de bolo s.f.f.
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