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7.12.21

A música desalinhada

É uma coincidência receber uma mensagem sobre os estranhos investimentos do Spotify em inteligência artificial no exacto dia em que a minha subscrição anual termina. A notícia vem com a habitual interrupção dos anúncios irritantes desta altura do ano, a impelir-me para renovar por mais um ano. Não é um mau negócio de todo quando se tem um desconto de 50% via esquema laboral, mas há sempre um dia em que tudo somado se torna um bloqueio: um retorno monetário mínimo para os músicos, um constante arremesso de sugestões que não me interessam para nada, a falta de outras alternativas também com desconto (o esquema dos 50% deveria dar, pelo menos, três ou quatro opções de escolha entre a Apple, a Amazon e o Spotify), este acesso excessivo a toda a música que há disponível que ocupa todo o meu espaço para ouvir música noutros lados. É preciso dizer que a quantidade de música disponível não significa um ouvido mais atento. De facto, nestes últimos anos a música que ouço tornou-se (salvo poucas exceções) um mar de fundo no qual pesco uma coisa ou outra sem nunca prestar a atenção devida. É a chamada cultura da distração. Por isso vejo esta coincidência da notícia uma oportunidade para deixar reticências neste mundo do Spotify e ver o que acontece aos meus hábitos musicais. É um pouco como desligar o telemóvel, deixar as redes sociais, desintoxicar um pouco desta era de excesso de informação e distração.

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