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21.3.21

Não sei que primavera é esta

Boa hora em que trouxe um livro comigo - "Music and the Mind", Anthony Storr - porque a brincadeira no parque infantil está animada e dificilmente teria tido paciência para estar aqui durante tanto tempo num primeiro dia de primavera bastante frio. Está muita gente por aqui e o rapaz, na ausência de camaradas da idade dele, acabou por se misturar com os mais pequenos. Nunca isto foi muito normal. Ele foi sempre de convívio tímido e só muito raramente fazia amigos no parque . Chegava ao ponto de brincar com outros adultos, mas raramente encontrava os mecanismos para fazer amigos. Faltava-lhe aquela conversa de palavras mágicas típicas das crianças: queres ser meu amigo? Queres brincar comigo? Daí tudo ser um pouco mais estranho agora numa altura em que vivemos uma pandemia e uma quarentena sem precedentes. O que é que aconteceu ? Cresceu, entrou noutra fase da infância e ultrapassou as emoções inerentes a complexos de criança. Não creio que isto seja uma reação à quarentena, ou seja, uma vontade maior de brincar e fazer amigos depois de uma temporada sem qualquer tipo de convívio fora do seio familiar. Talvez haja aqui um pouco de tudo, factores conjugados que também explicam a afluência de tanta criança a um parque que nunca tem muita gente. Seja como for, é bom. É sinal que continuamos a crescer normais e de forma orgânica. O que eu já não sei dizer é se alguma vez vou ter algum tempo para mim. Aquilo que eu gostava de fazer mais (música, literatura) tornou-se um hobby e agora acho que já nem hobby é porque sempre que chega a noite já não quero saber de nada.

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