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5.1.21

Entre a tabuada e os feijões domésticos

Aqui estamos nós novamente neste carrossel de loucuras domésticas, cabeça fragmentada entre o ofício à distância de quase um ano e esta segunda temporada de escola em casa. Pior agora é que acabamos de sair de duas semanas de férias (também em casa), sem nenhuma fuga possível para um lugar novo, sem a rotina das braçadas na piscina, sem nada que nos tivesse tirado desta depressão caseira e do mundo por um dia que fosse. Partir desta paragem para seis semanas de escolaridade virtual é coisa tenebrosa. O dia começa com paciência, mas isso só significa um atraso de uma hora e tal para os afazeres do dia para compensar as tarefas de receber e enviar pdfs da escola, explicar, ajudar. Vem uma reunião, mais um e-mail ou outro, e por volta do meio-dia é já um que safoda o trabalho. O almoço chega na esperança de um re-calibrar de energias para a segunda parte de exercícios escolares, mas as emoções do dia já estão ao rubro porque é muita coisa, é ter de fazer exercícios que só fazem sentido na escola. Nem a música ("boa para fazer trabalhos de casa"), nem o silêncio, nem mais uma conversa trocada por mil e um miúdos adianta. Se não nos cabe na cabeça a nós, como é que esta coisa toda cabe na cabeça das crianças? Como é que poderemos aguentar isto quando sabemos que chegou ao que chegou muito, mesmo muito, por incompetência política? E o dia continua cinzento, chove, está frio, feio, e a meio da tarde já está noite e já é um que safoda a escola. Que safoda o trabalho, que safoda a escola, que safoda o Boris, que safoda o mundo inteiro.

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