Felizes daqueles que conseguiram manter um diário durante 2020 sem falhar um único dia e sem perder uma única observação do estado das coisas em era-covid. Aposto que já vão numa colectânea exemplar. Eu ainda tentei (assuntos nunca faltaram), mas a cabeça deliciou-se muitas vezes ao ritmo do pára-arranca das magníficas decisões governamentais. Viaja, não viaja, fica em casa, sai de casa, usa máscara, não usa máscara. Não faltam assuntos. O pior é que ninguém quer saber desses assuntos e ninguém quer ler os diários dos outros. O que a malta quer é estar num mundo melhor à décima segunda badalada do Big Ben. De repente tudo se vai transformar: 2020 vai deixar de existir.
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