Os resultados do teste ao covid chegaram por volta das nove da noite: ambos negativos. Vi a mensagem no telemóvel quando o Piruças ainda estava a adormecer, luz apagada, silêncio no quarto. Não lhe disse nada. Amanhã é dia de festa de natal e ele não gosta nada da ideia de ter de cantar à frente de toda a gente. Quando eu lhe disse antes do jantar que ainda não sabíamos nada sobre os resultados e que ele teria de ficar mais um dia em casa, ele deu um sorriso de contente e disse que ainda bem que não tinha de ir logo no dia da festa de natal que não tem jeito nenhum. Compreende-se. Sempre a mesma coisa. As mesmas canções, as mesmas passagens mal ensaiadas. Vá lá, expliquei-lhe, este ano não vai haver audiência de pais babados. Vai ser tudo filmado e enviado para o Dojo. Tudo mais simplificado.
Regressa-se à rotina amanhã. Dias de escola, dias de trabalho a partir de casa. Mais um dia em que tento encontrar uma pausa possível entre uma infinitude de reuniões online. Mas amanhã não vai ser um dia de rotina como os outros porque eu tenho de arranjar forma de ir ao dentista. Caiu-me a massa do dente mau quando estava a fazer limpezas orais. Saiu por inteiro quando estava a tentar tirar uma migalha (pensava eu que era uma migalha) entre os dentes. Mais tarde ou mais cedo iria acontecer. Este é o dente que tenho meio-morto, a precisar de um tratamento desde o início do ano. Tinha tudo marcado para o início de julho, mas tudo aquilo que não era urgente foi cancelado. Tentei remarcar, mas disseram-me para ligar se tivesse algum problema com o dente. Agora tenho, mas pode já ser tarde. O dente está oco. Ando com ele assim há anos sempre na iminência de um estilhaço. A ideia era meter-lhe uma coroa por cima da massa, mas agora que a massa caiu pode ser um problema reconstruir tudo num dente que é tipo aquelas fachadas falsas dos filmes de cowboys. Há sempre uma possibilidade, como houve sempre até agora, de o dente partir e continuo admirado de ele não ter partido ainda. Na pior das hipóteses (algum dia esta terá de ser a única hipótese) vou ter de o tirar. Com sorte o meu seguro cobre pelo menos parte da despesa.
Regressa-se à rotina amanhã. Dias de escola, dias de trabalho a partir de casa. Mais um dia em que tento encontrar uma pausa possível entre uma infinitude de reuniões online. Mas amanhã não vai ser um dia de rotina como os outros porque eu tenho de arranjar forma de ir ao dentista. Caiu-me a massa do dente mau quando estava a fazer limpezas orais. Saiu por inteiro quando estava a tentar tirar uma migalha (pensava eu que era uma migalha) entre os dentes. Mais tarde ou mais cedo iria acontecer. Este é o dente que tenho meio-morto, a precisar de um tratamento desde o início do ano. Tinha tudo marcado para o início de julho, mas tudo aquilo que não era urgente foi cancelado. Tentei remarcar, mas disseram-me para ligar se tivesse algum problema com o dente. Agora tenho, mas pode já ser tarde. O dente está oco. Ando com ele assim há anos sempre na iminência de um estilhaço. A ideia era meter-lhe uma coroa por cima da massa, mas agora que a massa caiu pode ser um problema reconstruir tudo num dente que é tipo aquelas fachadas falsas dos filmes de cowboys. Há sempre uma possibilidade, como houve sempre até agora, de o dente partir e continuo admirado de ele não ter partido ainda. Na pior das hipóteses (algum dia esta terá de ser a única hipótese) vou ter de o tirar. Com sorte o meu seguro cobre pelo menos parte da despesa.
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