Acendemos uma vela pelos mortos dentro de uma abóbora esculpida. Não visitamos cemitérios, embora exista um que visitámos várias vezes durante o verão. É só um ritual singelo. Uma página diferente daquele de ir visitar cemitérios e ficar ali na tristeza do outono. Eu nunca gostei disso porque a imposição social há muito que se afasta do real intuito do feriado. Deveríamos ter o dia para celebrar e lembrar os nossos mortos e marcar a ausência de alguma forma. Mas não é isso que acontece. A primeira prioridade é assegurar a competição de flores e campas. A segunda é observar e comentar sobre que está presente e não está. E as conversas nunca são sobre os mortos. Nunca se celebra nada. Nunca se recorda. Só se entristece. E tudo é mais um costume social que não serve para nada. A solução? Talvez uma ruptura e uma reinvenção.
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