Dois acontecimentos a assinalar hoje. O primeiro foi um pifo do meu portátil do trabalho que depois de um update entrou em conflito com um leitor de CDs que tenho usado de vez em quando. É um daqueles erros que aparecem às vezes quando nos esquecemos de alguma coisa ligada através de USB, mas desta vez desconectar e desligar não serviu de nada. Fiquei com o ecrã azul a pedir-me uma key que o departamento de IT não conseguiu arranjar porque supostamente esta não existe neste portátil. Assim sendo, a única solução seria formatar o portátil, mas como tal não pode ser feito a partir de casa, vão me arranjar outro. Parece que compensa mais um novo do que arranjar este. A correr bem chega amanhã ao final do dia. O segundo acontecimento, foi um descuido meu quando fiz um curto intervalo durante a reunião matinal do costume para fazer um chichi e me esqueci de desligar o microfone dos auscultadores sem fios. E pelos vistos o microfone detecta bem os sons até à última pinga o que o torna uma perigosa tecnologia ambulante. Foi durante mais uma reunião longa e aborrecida dos colegas mais próximos e o episódio foi digno de um sketch de sitcom, mas não deixou de ser um embaraço porque eu só me apercebi mesmo na última pinga. Foi um descuido de tecnologia. Evitável com algum aperto. Mas isto só mostra um pouco da situação a que chegamos na qual somos invadidos todas as manhãs dentro da nossa casa por um mundo de trabalho que deveria ter maior noção do que isso representa. Em primeiro lugar, temos a câmara apontada a nós (e nem toda a gente se dá bem com isso) durante um tempo desmesurado, sem que ninguém apareça para dizer já chega. Se estas chamadas custassem dinheiro seriam muito mais curtas e mais produtivas. Em segundo lugar, parte-se do pressuposto de que (embora eles continuem a dizer-nos para tirarmos o nosso tempo) temos de estar constantemente ligados à máquina e sentados a olhar para ela. Não temos nem devemos. Durante estas chamadas infindáveis poderíamos limpar o pó, lavar a louça, fazer a cama, ir lá fora despejar o lixo. Mas eles querem-nos ali agarrados a perder tempo e a queimar os olhos. Muitas vezes passam a vida a falar do fim-de-semana ou a dizer piadas sem jeito. Sair um minuto da conversa deveria ser a atitude mais normal do mundo. Para buscar um copo de água, para atender a campainha, para um rápido aliviar da bexiga e do stress, para qualquer coisa desse género. Desde que não se seja traído pelo som do microfone e pela disfunção momentânea das tecnologias, obviamente.
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