16:59
Hoje é o último dia da quarentena ou o penúltimo ou já passou. Fico confuso com toda esta falta de informação e falta de acompanhamento da situação por parte do governo. Tal como tantas outras coisas, tudo soa a disparate e incompetência. Este é de facto o décimo quarto dia depois do nosso dia de chegada a casa. Estamos bem. Nenhum sintoma de nada. Só esta ansiedade de chegar à meia-noite e sair para a rua a bater palmas, feitos aqueles parvos a fazer um charivari em homenagem à NHS. Estou a gozar, obviamente. O que eu queria mesmo era ter mais uma ou duas semanas de férias num lugar sem ninguém, sem trabalho e sem notícias. A escola começa para a semana e o ritmo vai ser outro.
17:06
Leio hoje no jornal uma notícia sobre as novas condições de trabalho na era pós-COVID e parece que andamos todos a trabalhar uma hora extra. Eu certamente mais do que uma, daí o estar a escrever isto durante a hora do expediente. É um cálculo baseado no intervalo entre o primeiro e o último email enviado. Os meus não contam porque trabalhei em sistemas que enviam emails a qualquer hora do dia e da noite. Nisto eu costumo ter cuidado. Enviar emails fora de horas (aconteceu algumas vezes) não é muito algo que eu não consiga evitar. O que eu não consigo evitar são as reuniões. Segundo o mesmo estudo, acontecem muitas mais reuniões (a maioria delas desnecessárias, daquelas em que falam do fim-de-semana e descrevem tudo o que fizeram, como se tal fosse alguma coisa interessante...), um aumento de 12.9%., apesar da maior dificuldade em manter a concentração em reuniões virtuais. Termina a dizer que apesar de as pessoas ficarem mais tempo ligadas ao trabalho, tal não quer dizer que estejam a ser mais produtivas. E também que a flexibilidade de trabalho não significa flexibilidade mental. É, provavelmente, uma miragem provocada pela distinção cada vez mais desfocada entre o trabalho e a vida pessoal em casa que faz com que as pessoas acabem por trabalhar muito mais do que devem.
23:06
Acabou a quarentena e amanhã vamos continuar por casa a trabalhar e a ver bonecos, mas vai ser diferente porque já não é quarentena. É só a vida do costume.
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