Gladstone Park. As nossas caminhadas necessárias quando espreita o sol ao fim-de-semana. Vemos as mesmas árvores, os mesmos esconderijos, as mesmas flores. Fazemos maios ou menos o mesmo trajecto. Não só porque não há muito mais espaço interessante a explorar, mas porque também gostamos de cumprir ritos. Só isso explica esta rotina de fim-de-semana numa familia em que ninguém vai à missa nem tem encontros marcados para nada. Além disso, caminhar faz-nos bem. Exercício físico como uma forma de restabelecer o equilíbrio da semana de trabalho por casa. Parece que não, mas. São as pequenas coisas que mais nos fazem falta ao corpo. Por exemplo, o hábito de preparar para sair de casa, vestir, deixar o puto na escola, caminhar para a paragem de autocarro, etc, já não existe. Agora passa-se da mesa do pequeno almoço directamente para a secretária improvisada. Substitui-se a rotina física das distâncias e dos meios de transporte por dois passos num apontamento já em si pequeno. Assim sendo, não é de estranhar que o corpo tenha perdido o seu equilíbrio e ficado neste estado inerte, demasiado tempo sentado, sem digestão própria das caminhadas. Há que rever isto urgentemente durante a semana. Talvez uma caminhada de manhã, outra ao fim do almoço. O fim-de-semana continua assim, sempre à espera de muito sol e poucas nuvens.
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