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3.4.20

À terceira semana tudo começa a ganhar uma nova dimensão neste espaço. Há coisas que desaparecem do cenário, há outras que começam a querer falar connosco.

Depois de um dia (semana) inteiro na sala a laborar o habitual, mudo de aposento para sair da rotina. Parece que estar a fazer serão no quarto, no andar de cima, longe dos computadores, da televisão, é como entrar noutra dimensão, quase como dar um passeio pelo quarteirão. As distâncias adquiriram novas medidas e as pequenas coisas ganharam outra importância. Comunicar com o mundo através da internet (a janela que toda a gente está a usar mais do que nunca) não me dá lá grande alento; em tempo de crise parece-me fazer mais sentido a introspecção, meditar, ler um livro, desligar o mundo por umas boas horas, coisas que não podemos fazer normalmente. Esta permanente janela aberta para o mundo continua a fazer a mesma corrente de ar. Serei o único a achar que uma quarentena é uma vida de eremita? Quase como hibernar, fazer uma quebra, uma paragem, nos nossos ritmos habituais, principalmente naqueles que nos vêm desgastando nesta nova era da informação? Isto parece-me ser o melhor de tudo. Claro que sinto falta de ir ao supermercado, mais do que qualquer outra coisa, porque é daquelas coisas simples que nos situa no espaço e no tempo do nosso quotidiano. Mas quando se hiberna a ideia é mesmo suspender tudo para outros dias de sol. Só não fecho a janela para fazer música porque estou cansado das tecnologias.

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