
O Harvest foi o primeiro disco que eu ouvi do Neil Young e, muito provavelmente, o primeiro disco que eu ouvi do princípio ao fim. Tinha onze ou doze anos. Passagem dos anos 1980 para os 1990. Vasculhava a coleção de discos de um tio por afinidade e atrevia-me às primeiras descidas de agulha sem fazer estragos. É também a razão pela qual (eu sei que isto não é algo muito coerente de se dizer) eu sou muito mais Stray Gators do que Crazy Horse e juro que, de todas as coisas muito boas que eu já ouvi ao longo de todos estes anos, poucas batem tão bem no meu ritmo cardíaco como o lá monocórdico-repetivivo do baixo do Tim Drummond na Out On The Weekend.
A minha história com o Young foi feita de reencontros. O primeiro em finais dos anos 1990 com uma versão em CD deste disco e um cassete com o unplugged. O segundo em princípios dos anos 2000 quando o fui ver a Vilar de Mouros com os Crazy Horse em 2001 (uma epifania de guitarra e chuva) e percebi melhor o lado eléctrico da obra. O terceiro quando encontrei uma cópia do Harvest numa loja de caridade e viajei no tempo com as imagens e as letras manuscritas. Perdi-o só quando, mero operário à distância do Pono, estava ausente no dia em que ele fez uma visita aos escritórios da extinta Omnifone. Agora sei que nunca mais o vou ver.
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