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27.3.19

Momo mia

Agora foi o Momo. Nem é tanto o boneco em si (ficou esclarecido que era uma invenção) que é um pouco medonho, nem a ideia de um jogo estúpido que 'obriga' os jogadores a fazerem coisas ridículas e perigosas. É antes a celeuma que se cria com o medo e pânico à volta destas coisas. Supostamente há outro Batman que fala destas coisas ao Piruças e ele leva aquilo um pouco a sério. E nisto a escola é um desastre. Em vez de terem andado a mandar e-mails a alertar os pais, deveriam começar por desmistificar estas palermices de internet. Em vez de terem tido uma atitude digna de instituição, contribuíram ainda mais para o espalhafato.
E agora? Como é que se explica o Momo ao Piruças quando ele acha que nem sequer se pode ver o que é porque ele acha que ele entra no nosso computador e assume o controlo de todos os nossos passos, como se fosse um vírus ou uma doença? O mais importante a fazer aqui é esperar pelo momento certo para desmistificar a coisa, o que passa por mostrar, explicar, ensinar. De resto, não há muito a fazer. Vai existir sempre este mau companheirismo dos colegas, a ignorância em bruto das crianças e um moralismo incapaz de lidar seja com o que for.
No fim da conversa ele perguntou-me se eu sabia o que era a F-word e quando eu respondi que não ele disse com todas as letras FUCK. 'Quem te disse isso?' Mais um Batman qualquer, cujos pais e mães se descuidam em imensos pormenores importantes. E agora tenho de lhe explicar tudo muito bem (não é fácil de explicar estas coisas trocadas por miúdos), sem tabus, sem merdas, sem preconceitos. Maldita adolescência precoce.

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