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2.2.19

Dias de neve

O Piruças não quis vir comigo até West Hampstead. Devoto discípulo do pijama o dia todo, não quis saber dos resquícios de neve no caminho, de mais uma dúzia de livros emprestados da biblioteca, do habitual ovo kinder da visita expresso ao supermercado, do pega-monstro da maquineta na Mill Lane, da espuma doce do cappuccino gratuito do Waitrose, da visita ao parque para espreitar algum boneco de neve derretido. Não quis vir, vim eu. Espreitei as lojas de caridade e encontrei livros em promoção na Oxfam: uma enciclopédia sobre o Universo e uma antologia de textos académicos sobre a música do Frank Zappa. Preços baixíssimos. Irrisórios.
Bebo mais um trago do meu cappuccino e preparo-me para a caminhada de regresso a casa. Tenho de me arranjar durante a tarde: puto impaciente na preguiça pós-constipação; a mãe dele soterrada com uma gripe que veio com a neve. Continuo a achar que uma curta caminhada até à biblioteca e às lojas só lhes fazia bem. Esta luz do sol a reflectir nos restos de neve dá-nos uma energia rara que não existe em casa. Em casa é só mais um fim-de-semana que se repete nas habituais resmunguices e dificuldades domésticas em ter um pouco de sossego.

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