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São dez horas da manhã e eu já estou na estação de metro de Oxford a caminho de Kensington. Foi estranhamente rápido. Fiquei na sala de espera poucos minutos e outros poucos minutos depois de ser chamado. Neste compasso de espera, enquanto a menina procurava o meu passaporte, escutei conversas das pessoas com os funcionários: uma senhora que veio de longe, do norte, porque cancelaram a marcação dela e do marido e nunca mais remarcaram nada. Tinha sotaque da madeira. O funcionário ajudou-a. Depois uma mulher que ao levantar o cartão de cidadão perguntou como é que fazia um pedido de marcação urgente para o passaporte. Ia viajar dentro de duas semanas para Nova Iorque, mas quando a funcionária lhe perguntou se já tinha a viagem marcada e ela disse que não, já não a pôde ajudar. Era bluff, muito provavelmente. Vi ainda um tipo que estava confundido com as marcações que tinha feito. Queria fazer duas marcações, uma para o cartão, outra para o passaporte, mas fez duas para o cartão e uma cancelou a outra, o funcionário ajudou-o e ao fazê-lo mostrou o ecrã do computador: um programa primitivo, daqueles de há vinte anos, absolutamente ultrapassado. O sistema está parado no tempo, Portugal está parado no tempo, a vida das pessoas está parado no tempo. O atraso de vida das pessoas é cada vez mais um atraso tecnológico (para aquilo que interessa).
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