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17.9.18

Aqui vamos nós

As manhãs continuam a ser um repetir constante: veste a roupa, lava os dentes, come a papa, estás a ouvir?, ouviste o que eu disse?, sai daqui, vai comer, tens as cuecas ao contrário, já não tem piada enfiares as cuecas na cabeça, já comeste a papa?, vais demorar muito?, vamos chegar atrasados à escola, onde é que está a gravata?, o que é que falta agora?, senta-te na sanita, faz xixi, faz caca, espera mais um bocado, calça os sapatos, veste o casaco, agora dói-te a barriga, queres fazer caca?, vai para cima rápido, já vamos chegar atrasados assim, limpa tu o teu rabo, não limpo, ok se não nunca mais saímos daqui e vamos chegar atrasados, tá tudo desligado?, torneiras fechadas?, fogão desligado?, o que é que foi agora?, anda, anda, anda, vais ficar sozinho em casa, abre a porta, não atires o saco ao ar, vais acertar-me no olho, anda mais rápido, vem aí o autocarro, este tá a abarrotar, vamos no próximo, espera, vamos descer até à próxima paragem que fica tudo mais vazio lá, não há lugares para sentar, este autocarro está cheio de preguiçosos com telemóveis, vamos fazer um jogo, o dos animais, ou das cores, ou das comidas, Ok eu quero um prato de unhas de elefante com catotas de macaco com molho de ranheta de caracol, estamos a chegar, cuidado, desvia-te das pessoas, não, vamos para a fila, oupa, dá-me um abraço, canta a música, porque é que não cantas a música?, Ok não cantes, está tudo desafinado, porta-te bem.

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