24.7.18
Hoje começam as férias GRANDES
Último dia de escola. Último dia de uma longa jornada de mudanças, aprendizagem e crescimento. O Piruças aprendeu a ler, a escrever, a entender imensas coisas e a conviver com os outros. E ainda não foi para a primeira classe. Era um pequenote quando começou, cheio de energia (demasiada energia tendo em conta o comportamento desalinhado do início), e aos poucos, à medida que foi aprendendo os números e as letras, foi canalizando essa energia e as emoções de uma forma inteligente: no seu estilo de fazer de conta que não é nada com ele, a esconder muito daquilo que aprendeu nas nossas conversas non-sense, a dar-nos silêncio às perguntas. Segundo ele só comia feijão e batatas à hora do almoço e não fazia nada durante o dia todo. Mas depois, quando era preciso contar os números, lá estava ele pronto, e escusado dizer que quando lhe apetece ler um aviso na rua ou uma frase num livro, ele lê. Não é preciso perguntar. Aliás, ele é bem capaz de dizer que não sabe quando é perguntado. É feitio. Por isso, não lhe peço demasiado e foram poucas as vezes que o acompanhei a fazer os trabalhos de casa. Essa disciplina foi-lhe dada pela mãe (e muito bem!), que nunca a teve quando era pequena (eu se calhar tive a mais) e os bons resultados são também fruto dessa paciência e desse esforço ao fim do dia, o que não é sempre fácil quando o cansaço aperta. Eu tento ensinar-lhe outras coisas: a ouvir talking heads e bob marley, a bater nas cordas da guitarra com força, a dar chutos na bola, a jogar badminton, a meter a cabeça debaixo de água na piscina, a conduzir a trotinete. Nem sempre sou bem sucedido, mas vale o esforço. Talvez os papéis se invertam um pouco daqui a uns tempos. Eu a explicar-lhe a boa escrita e os cálculos matemáticos mais complicados, e a mãe a explicar-lhe como se pinta, a ensinar-lhe alguns pratos de culinária (eu posso ficar com os bolos!) e a dizer-lhe para ter mais calma quando é preciso.
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