Páginas

14.6.18

operários em construção



O prédio novo continua a crescer e a interessante paisagem urbana de outrora já era: aquele prédio alto de outra era, ali isolado, às vezes num silêncio misterioso, quase fantasma. Neste mesmo lugar de construção existiram garagens abandonadas e um cosmos urbano de filme: desalojados, drogados, putos da cultura tóxica e escumalha dos arredores. Agora vai ser este caixote da nova gente londrina, igual ao outro ao lado, quatro andares pregados ao chão que não lhe deveria pertencer. Vamos ter sol na mesma. Vamos poder ver os mesmos traços mais cimeiros. Porém, o eco vai ser outro, aquela acústica de espaço aberto vai esmorecer para dar lugar a vozes de janela aberta. Disto já temos no nosso prédio-casa: o bronco aos berros em sessões de duas horas ao telemóvel, os graves bombásticos dos discos pedidos de fim-de-semana (felizmente, mal ouvimos isto agora); e os gemidos 'atléticos' da gaja de sábado à tarde, raquetadas de sharapova, assim explicados ao curioso rapaz de quarto anos.

Sem comentários:

Enviar um comentário