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1.2.18

Há um ano

Estou a escutar-te. 
Juro que estou a escutar-te 
algures neste lugar sem gente, 
campo mortiço de lembranças, 
numa veia aorta que se prolonga 
para lá dos nossos sonhos. 
Ouço-te mas não te vejo. 
Tenho a tua imagem perdida numa fotografia 
e quando preciso abro o livro sagrado
para podermos sorrir os dois. 
Uma imagem sem movimento, 
sem tempo a passar por ela. 
Mas este silêncio nunca é silêncio. 
É só aquela intensa atenção que temos
de dar aos nossos interiores, 
vagar de um museu que há muitos anos não visitávamos. 
Um lugar de silêncios e divagações perdidas no espaço.

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