Estou a escutar-te.
Juro que estou a escutar-te
algures neste lugar sem gente,
campo mortiço de lembranças,
numa veia aorta que se prolonga
para lá dos nossos sonhos.
Ouço-te mas não te vejo.
Tenho a tua imagem perdida numa fotografia
e quando preciso abro o livro sagrado
para podermos sorrir os dois.
Uma imagem sem movimento,
sem tempo a passar por ela.
Mas este silêncio nunca é silêncio.
É só aquela intensa atenção que temos
de dar aos nossos interiores,
vagar de um museu que há muitos anos não visitávamos.
Um lugar de silêncios e divagações perdidas no espaço.
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