15.2.17
A sinfonia dos lugares novos
É um escritório com muita gente. Movimento. Algumas caras são simpáticas, outras são incapazes de dizer um olá ou sequer olhar. Outras ainda são incapazes disso mesmo depois de termos sido apresentados. Conheço bem a espécie. Um ego que oscila entre uma timidez profunda e uma arrogância inocente de quem não encontra forma de ser. Tudo muito previsível. Mas isto só parece existir nos subúrbios e não no meu círculo. No meu círculo há conversas normais e uma exterioridade saudável. Fazem rondas para fazer chá/café e há uma boa-disposição momentânea sempre que alguém estica o pescoço para dizer alguma coisa. Dizem asneiras sem olhar para o lado e não se perdem em silêncio. Não são muito de irem juntos aqui e ali, não esperam para o almoço, nem sugerem nada. Cada um para o seu lado o que é a coisa mais natural de se fazer. No primeiro dia alguém pôs a tocar música pop foleira, o que me deixou um pouco assustado. Julguei o episódio como um problema, "mais do mesmo". Mas alguém fazia anos e, se calhar, era só um dia silly. Aliás, nestes dias tenho andado a ouvir e a descobrir coisas boas. Não é em qualquer escritório que se ouve David Axelrod.
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