Acordei com o alarme de fumo às sete e vinte. O Piruças ainda dormia e não acordou, o que é estranho porque é mesmo um barulho dos diabos. Já da outra vez que tal aconteceu, às tantas da manhã, ele continuou a ressonar. Mas o alarme não tocou durante muito tempo. Provavelmente foi um vizinho que se esqueceu do pão na torradeira e logo se apressou a desligar a sirene. Mesmo assim, fiquei um pouco desorientado. Acordei a meio de um sonho de uma viagem de comboio de Coimbra para o Porto e estava a falar com o maquinista que bebia uma garrafa de vinho. Quando dei por mim já estava no destino sem perceber muito bem como é que lá fui parar tão depressa. Também não interessa. É só mais um sonho.
O que eu precisava agora era de arranjar alguma coisa para fazer. Qualquer coisa que sirva para manter a cabeça no sítio nestes tempos de procura incerta. Qualquer coisa que combata esta inércia e este tempo miserável (hoje está frio e um nevoeiro deprimente). Mas a inspiração não quer nada comigo.
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