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5.7.16

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Não foi uma questão de um dia ou dois. Foi uma questão de semanas, duas ou três. O verão estava tão diluído no tempo que eu nem sequer me lembro onde estava quando me ligaram, nem porque me ligavam. Provavelmente tinham contactado todos os outros candidatos mas eles já tinham arranjado coisa melhor. E sobrava eu no fim da lista. No dia seguinte lá estava eu numa sala com luz (desta vez não me tinham levado para uma cave) à frente de um tipo mais velho do que eu, cabelo grisalho, voz rouca de quem fuma e bebe. Fazia-me perguntas e elogiava-me o inglês. Era esperto. Sabia plantar armadilhas na conversa. Mas eu estava sem paciência nenhuma para entrevistas, armadilhas e exageros tipicamente britânicos. Eu queria era saber porque é que estava ali e quando é que se deixavam de mariquices. Lembro-me de falar sobre música. Sobre os The Fall. Sobre festivais de verão em Portugal. Conversa enrolada por mais de meia-hora. Treta, só treta. E, mais uma vez, nenhuma resposta. Nem sim, nem sopas. Uma tanga.

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