É duro. Acordar todos os dias às seis e meia é dose. Todos todos os dias, todos os santos, incluindo o fim-de-semana, de férias até, feriados, passagens de ano, ressacas, tudo. Faz falta o sono até tarde (quando digo tarde, digo até às 10) uma vez por outra, uma vez por mês que fosse. Mas tudo isto não é nada, diria muita boa gente que sofre de insónias e de outras crises de sono mais complexas. Dormir é sempre relativo. Às vezes dorme-se demais, o que não é bom, e, por outro lado, há muita boa gente que dorme pouco mas dorme bem. O sono é relativo. Tudo bem.
O que não é muito relativo são estes dias compridos: vestir, pequeno almoço, pagode, birra, ir ao parque, comer a sopa, não querer comer a sopa, brinquedos por todo o lado, fazer a sesta, não querer fazer a sesta, pagode, mais pagode, birra, mais birra, ir ao parque, colo, muito colo, costas todas paridas, não querer voltar para casa, agarrar nele à força, um jeito às costas, as costas ainda mais paridas, dores de cabeça, banho, birra por causa dos desenhos animados, skype, mais skype, sono, muito sono, dormir. O que é que se consegue fazer depois disto? Onde é que está o tempo para nós? Aquelas horas preciosas de ler o jornal, tomar um café, pensar na vida, abrir o livro que ficou pendurado. A hora da sesta NÃO CHEGA. Também queremos uma. Mas não dá. É hora de recuperar alguns atrasos e pouco mais. Quando se dá por ela já o dia acabou e amanhã já é segunda-feira. O cansaço aperta-nos os calos e é já o corpo a exigir: não faças isso, não escrevas, não fales. A irritabilidade é sufocante porque já não dá para fazer mais nada. Qualquer palavra diferente é um obstáculo para cumprir as pequenas coisas que guardamos para o fim do dia, para o fim-de-semana, para o fim de tudo. Não dá. Tudo o que fazemos é uma pequena gota de tarefas possíveis e o nosso cair do dia é um cair abrupto, sem piedade. Lutamos contra o corpo: só mais um e-mail, só mais uma mirada na correspondência, só mais este curto episódio que eu queria...zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
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