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12.1.16

Black Star

O Bowie esteve sempre lá. Primeiro, através dos tops televisivos dos anos 80, no tempo da Let's Dance, da Ashes to Ashes, da Under Pressure com os Queen e da Dancing on the Street com o Mick Jagger. Depois com um Best Of duplo em CD que comprei numa loja no Porto, penso que já no tempo da Fnac. E só muito mais tarde com a descoberta de Hunky Dory e Low. Achava-o muito estranho quando era puto, mas agora não acho nada. Agora vejo só um artista completo que, sabendo que a morte se aproximava, aceitou o desígnio com um disco a celebrar o seu aniversário. Um acto de pura simplicidade. Com classe. Com pinta. O Bowie não era um artista pop, ele era a arte pop. Ele usava cores, arquitectava penteados, era andrógino q.b. e tinha a alcunha de camaleão. Mas ao contrário destes travestis pseudo-inteligentes de agora, ele nunca foi em cantigas do ego e da procura cega de um pedestal. Soube sempre guardar muito bem os segredos e ficou à margem de todo o circo da indústria.
Isto não é para soar depressivo, mas a realidade já nos diz que os grandes andam a morrer. Quem é que se segue? Há uma lista de candidatos. É toda uma geração que se aproxima do fim e a partir dela nada será como dantes. Bley, Boulez, Bowie, e 2016 ainda só agora começou.
Mas oiça-se bem as últimas músicas de Bowie que toda a gente quer dizer que são tristes. De tristes só têm a vida que já é assim dela e que por isso não é triste. Ninguém quer ver o que elas realmente encerram: uma mensagem que celebra a vida, uma mensagem cheia de força de arte vivida, um ritmo eléctrico impulsionador.

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