Agora que comprei uns brinquedos novos para ressuscitar o ofício das paisagens sonoras e das ideias visuais abstractas - um computador minimamente decente, uma nova placa de som, um controlador e até um pedal de guitarra dos baratos, mas que serve - abriu-se finalmente a porta para traduzir o livro do DT que eu andava a ruminar há dois anos. O tempo para isso é tão pouco que eu fico com a sensação de que tenho de optar por uma coisa ou outra, ou seja, ou a cena dos sons que não leva um gajo a lado nenhum, ou a cena da escrita que também não leva um gajo a lado nenhum. Fico a pensar nisso sempre que me dá para os pensamentos vagos ao lusco-fusco. Existe algo que me diz "escolhe", mas também há algo que me diz que as coisas têm que ir andando e que em vez de pensar em não fazer muitas coisas ao mesmo tempo (para não perder nenhuma) tenho só de planear uma boa forma de poder fazer coisas umas atrás das outras. Assim sendo, tenho de me dedicar só à tradução do livro até ao verão e tentar fazer só umas coisas pontuais de música improvisada só de vez em quando. Depois, faço um intervalo de um ou dois meses da escrita e aproveito para tirar a poeira das guitarras e afins. Der no que der. O bom disto é que o livro é sobre ondas ambiente e experimentalismos e tudo até se pode combinar bem no final.
Mas por enquanto tenho mesmo de dar à perna e arranjar umas horas à noite para traduzir no mínimo em média umas duas páginas por dia. Já vou a 20% do primeiro rascunho e espero que a prática diária me permita acelerar um pouco. Não é nada fácil para quem já passa o dia inteiro a olhar para um computador. Mas o livro é bom e à medida que vou entrando nos eixos vou também desligando das perdas de tempo habituais do dia-a-dia. Aos poucos deixo de ler os jornais, deixo de ir espreitar o FB (já vou pouco) e deixo de me socializar (já sou anti-social que chegue) porque não vejo nenhumas vantagens nisso. O mundo é muito mais interessante quando está lá fora
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