10.11.15
O quilha-se que está nos genes
Não é ao pai Piurso que o Piruças sai. Ele diz hello a quem passa, ele diz bye bye e manda beijinhos, ele dá abraços quando chega à creche. Isto não é certamente coisa de genes. Isto é algo que se ensina. Porque se não se ensinasse ele não fazia nada disso. Eu não fui habituado a isso quando era pequeno (estou a habituar-me agora), não fui para uma creche com tão tenra idade, e certamente não tive a oportunidade de conhecer tanta gente diferente. Eram também outros tempos, havia talvez uma mentalidade mais presa a costumes caducos, a formas de educação menos conscientes do poder verbal (aquela ideia absurda de que as crianças não percebem o mundo adulto) e provavelmente muita falta de brincadeira. Quando digo falta de brincadeira, falo da brincadeira entre crianças e adultos, porque a brincadeira entre eles existe sempre. Para muitos pais, brincar, jogar à bola, correr, é um fardo e muitos até devem ter a sorte (ou se calhar, azar) de ter catraios que funcionam por eles e se entretêm sozinhos (eu se calhar era assim). O Piruças não. Tirando os momentos em que fica especado a ver desenhos animados e dinossauros, o tempo é todo de comunicação, brincadeira na linguagem corrente.
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