Philip Jeck, Arnold Dreyblatt e Oren Ambarchi. Santíssima trindade do drone. O primeiro apareceu com dois gira-discos e um pequeno teclado ligados a um pequeno asus. Mergulhou os sons em reverb e delay e criou paisagens sonoras entre o cavernoso e o atmosférico. O segundo tocou duas peças: uma de ressonâncias repetitivas no contrabaixo eléctrico, outra feita com sons MRI. Foram ambas interessantes. Sonoramente mais a segunda. Mas pecou por ter sido demasiado longo. O terceiro ficou-se só por um set de meia hora de guitarra e bateria. Nada de novo. Mas uma prestação soberba do baterista e um controlo absoluto de feedbacks e drones. Foi irónico: os primeiros tocaram tempo a mais, os últimos poderiam ter tocado mais 15 minutos.
Agora que o sonho rockeiro já está mais ou menos acabado - não só porque não há paciência para ajuntamentos peneirentos, mas também porque a partir de uma certa idade começa a tornar-se ridículo - abre-se uma nova proposição de carreira. Ver estes entradotes (pelo menos os dois primeiros) a tocar coisas dá algum alento a continuar a fazer coisas também. Claro que eles já andam nisto há muito tempo, mas isso nada impede que uma carreira se lance ou relance aos 40 ou aos 50. Há sempre uma oportunidade quando não se desiste. Consigo imaginar-me assim aos 50? Claro, já tenho a secretária e jeito do computador. Só tenho é que me livrar da guitarra e ganhar cabelos brancos.

Sem comentários:
Enviar um comentário