No curto espaço de uma semana vi duas performances de música improvisada. No passado sábado foram Steve Beresford, David Toop e Terry Day no lançamento de um livro de obras deste último. Este sábado foram Adam Bonham, John White (penso que são estes os nomes mais ou menos exactos) e, mais uma vez, Steve Beresford. Steve foi meu orientador quando eu andei pelos meios académicos a escrever um ensaio sobre o Lisbon Story do Wim Wenders. Passei algumas horas a conversar com ele sobre música e muitas outras coisas sem sequer saber que ele era um músico conhecido no circuito experimental. Perdoe-se a ignorância, mas eu deveria ter aproveitado mais aquele tempo e para explorar qualquer coisa mais interessante. Não sei o que me deu. Um filme do Wenders? Sobre uma cidade que eu mal conheço, nem faço tenções de conhecer? Saudosismo bacoco.Tempo mal gasto. Deveria ter aproveitado para descobrir mais sobre isto que está tão em voga agora (música improvisada, música com brinquedos, arte vídeo, arte sonora) e ter preparado caminho para o futuro.
Mas falemos da música improvisada. Parte do meu cérebro diz "porque não?", "porque não conduzir aquilo que se gosta como bem se quer?" Há na música improvisada uma atitude de contradição da norma que me agrada mais do que o punk. Existe também um lado artístico forte e uma postura imaginativa que se encontra no lado avesso ao mundo da música convencional. Mas o resto do meu cérebro, aquele mais conservador, acha que tudo não passa de um exercício artificial de de peneira artística. Isto porque qualquer um pode chegar ali e fazer qualquer coisa sem ter de aprender a tocar um raio de um instrumento.Além disso, ando sempre com uma impressão dos diabos quando vejo alguém como o Steve Beresford ou o John White a tocar brinquedos ou a brincar com os botões de um microkorg.
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