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21.10.15

Está na hora de mudar a hora

São quase sete e meia e o catraio ainda dorme profundamente. Fui ao quarto espreitar e não tive coragem de o acordar. Fiz isso ontem e foi birra certa. Ninguém gosta de ser acordado durante a noite.
Consigo ouvir as gotas de chuva e o vento lá fora. Já não está tão escuro como estava às seis e meia, mas continua mais noite do que dia. Sento-me à mesa, na cozinha, e espero. Espero que o catraio acorde com o som dos aviões ou de um camião. Espero que entre alguma luz no quarto que o faça despertar bem disposto. Espero que isto de viver tão longe do trabalho acabe um dia, Espero ter forças para aguentar mais algum tempo, o necessário, antes que o corpo se desfaça em mil bocados de cansaços.
Já consigo distinguir as formas através da janela: os contornos da casa do vizinho, o reflexo do céu cinzento no telhado do anexo, as folhas de alguns arbustos, a corda de estender a roupa com pingas de chuva prontas a serem sacudidas e, lá no fundo, uma copa de árvore já com poucas folhas. Continuo a ouvir o som das pingas de chuva dos caleiros e o som dos aviões muito mais perceptível. O resto é silêncio.  

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