Lembro-me de ter ido para os lados de Wood Street buscar aquele aparelho Pionner e de o ter trazido dentro de um saco do ikea. Pertencia a uma mulher que o tinha guardado no sótão. No anúncio do Freecycle dizia que tinha gira-discos e foi essa a razão pela qual disse que estava interessado.
Foi com este aparelho que comecei a comprar discos de vinil. Alguns por uma libra em lojas de caridade, outros novos. Nunca mudei a agulha nem nada. Tocou sempre, mal ou bem.
Com o tempo, e humidade, os circuitos começaram a produzir um ruído chato, ao ponto de o som se perder. O problema parecia estar nas conexões e sempre que tinha de mudar de fonte (CD, aux ou phono) era ruído certo. Depois o som perdia-se e já não se ouvia bem a guitarra, ou o baixo.
Não havia nada a fazer. Nada funcionava. E o que ainda funcionava mais ou menos precisava do que não funcionava para funcionar. Adiei um pouco a decisão, mas este passado sábado foi o dia em que o pus fora de casa. No Freecycle não faria sentido, porque dá mais trabalho e certamente ninguém quereria um aparelho estragado. Na rua há sempre alguém que quer. Quanto não seja para ver se funciona e o largar noutro lado qualquer.
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