3.9.15
Mas afinal para que servimos nós?
Como é que se mede a distância entre um corpo de três anos morto numa praia europeia e um outro corpo a morrer (não importa como) num país africano qualquer? Mede-se pelo tamanho do mar que separa os dois continentes? Ou pela indiferença? As primeiras páginas dos jornais mostram a mesma imagem. Uma imagem que chega a ser de uma atrocidade insuportável porque não é tão violenta como as outras todas. Uma praia. O mar sereno. Um polícia que carrega um menino nos braços. É aqui, neste preciso ponto, que toda uma civilização se despedaça. Toda a gente parece acordar para a imagem e procura uma explicação. Mas essa explicação não está na imagem, muito menos na poluição visual e verbal das redes sociais. Está neste mundo de pseudo-políticas merdentas de meio-mundo que perde tempo com lamechices palermas, enquanto outro meio mundo precisa de intervenção digna. Não a merda da intervenção que se tem feito até agora. Essa já não consegue enganar ninguém por muito mais tempo. Andam por aqui a debater diplomacias sobre construir muros e sobre qual país cai a responsabilidade de os construir. Já se faz tarde. O outro mundo não pode esperar que a Europa apodreça por inteiro na sua verborreia.
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