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23.9.15

Hora do pote

O pote tem sido um pobre objecto encostado a um canto da casa de banho. É verde e novo. O outro, comprado há já alguns meses, está agora na creche, onde há certamente mais rotina e tempo para treinar o Piruças. Por casa tem sido difícil convencê-lo sequer sentar-se nele. Ele não acha piada nenhuma a isso. Mas eu também não acho piada nenhuma a ter de lhe mudar a fralda todas as manhãs. Hoje foram três, sim, três. Fez uma antes do pequeno-almoço, outra depois do pequeno-almoço, e ainda outra quando estávamos mesmo para sair. Eu a querer que ele se sentasse no carrinho e ele a desviar a traseira - "caca, caca".
Deveria ser simples ter o Piruças sentado no pote assim que acorda por uns cinco minutos. Mas não é. É impossível obrigá-lo. Nem com livros, desenhos-animados ou puzzles. Ele ainda não percebeu a vantagem de não ter merda colada nas bordas. Sigo-lhe sempre isso, mas ele não liga nenhuma. Assim sendo, temos de esperar por alguns progressos na creche. Parece que ele já fez uma vez ou outra e eu acredito piamente nisso. Elas lá têm forma de o convencer.
Não sei se foi por ter feito três vezes que ele foi hoje todo bem disposto para a creche. Os dois últimos dias foram um drama. Chorou, soluçou, fez birra. Não queria ficar lá. Talvez porque andou meio adoentado durante o fim de semana e ficou com as emoções avariadas. Mas eu acho que é do tempo. Hoje veio sol e o Piruças nem pediu colo. Saiu do carrinho, tirou o casaco, foi espreitar os peixes no aquário por uns segundos, entrou na sala e sentou-se à mesa para comer uma boa taça de cereais com leite. Foi uma felicidade ver um sorriso e um acenar de adeus depois de dois dias de lágrimas.

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