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27.8.15

Alternaïve: Scott Engel - Scott 4


Em setembro de 1969, mundo ainda não tinha acordado para a realidade. Na ressaca de Woodstock, vivia-se ainda a chama do sonho hippie, cheio de cores e perfumes, palco da juventude para um admirável mundo novo. Só em dezembro desse mesmo ano é que o sonho sofreu o primeiro abalo. naquela antítese de festival em Altamont, cenário dantesco onde tudo correu mal. Os sinais de mudança eram evidentes: os Beatles, desligados do público e dos palcos, lançam Abbey Road; os Led Zeppelin anunciam o paraíso rockeiro com dois álbuns determinantes para o desenrolar dos 1970s; o proto-punk de Iggy Pop amplifica o ruído que os Velvet Underground haviam abandonado. Neste cenário, Scott Walker é um autêntico outsider, demasiado existencialista para as audiências da BBC, demasiado soturno e orquestral para as fanáticas adolescentes dos Walker Brothers. Scott 4, lançado em 1969 poucos meses depois de Scott 3 (sem dúvida, o melhor ano de Scott Walker)  é assim um último sopro numa carreira a solo que, ironicamente, só veio a colher frutos numa era tardia de reclusão e obscurantismo artístico. Nele figuram peças melancólicas únicas (On Your Own Again, Boy Child), interrogações políticas (Hero of the War, The Old Man's Back Again) e alusões directas à cultura europeia (The Seventh Seal). A diversidade de temas é bem camuflada pela solidez de arranjos, a imagem é poderosa e a expressão artística absoluta (todas as composições são de Walker). Contudo, tal não impediu o flop de vendas e a queda do anjo negro.

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